Eu estava em em frente a um estúdio de musica onde ensaio ha anos, na Rua Teodoro Sampaio 462. Desci após o ensaio na porta do estúdio, lugar bem movimentado.
Estava fumando um cigarro com um amigo gay, e conversávamos sobre a vida, política e etc. Apenas de ouvir o nome Haddad, surge um homem que também estava no estúdio ensaiando (depois vi isso), mas ele surgiu do nada e nos atacou. Me deu um soco no peito e disse “não vai votar no Haddad” nisso corri pro outro lado da rua no meio dos carros. Fui coagido pelos donos do estúdio a não dar queixa e além disso esses mesmos donos incitaram a violência dizendo que eu deveria bater nele. Então eles protegeram o agressor e no fim fui atacado verbalmente de forma muito agressiva por uma funcionaria que queria me levar pra um “quarto escuro” pra uma conversa particular. Quando me recusei ela surtou. O dono do estúdio então puxou o braço da minha namorada e pediu q ela me controlasse, dizendo pra eu desistir do pedido de policia que eu tinha feito. Ficamos com muito medo inclusive de chamar a policia. Obrigado pela ajuda. Mto importante o trabalho de vcs!

Leandro Augusto, Homem, Branco, Heterossexual, 33, SP

Ameaçado de morte por uma carro em movimento -lento- por aparentar gay ou progressista, sendo que não utilizava nenhum tipo de adesivo ou característica que ligase á esquerda.

Alex Huscher, Homem, Branco, Bissexual, 19, PR
Minha amiga foi votar com a camiseta do Lula. Foi xingada e ameaçada em todo o percurso. e me relatou que em seu Bairro – Saracuruna – está proibido mencionar Haddad, PT e Lula. Foi ameaçada por vários homens até que chegasse em casa, e lhe disseram que votasse certo pois eles saberiam.
Soraya Magalhães, mulher, branca, hétero, 44, RJ

Proximo da minha casa há uma outra casa com uma faixa gigantesca do bolsonaro. Eu estava voltando pra casa, vinha pelo outro lado da rua e passavam também dois rapazes. Um deles comentou sobre a faixa “até aqui esse bolsonaro, por isso o brasil não vai pra frente”. Todos tem de concordar que não há nada demais nessa frase. Mas um homem que estava no portão de uma outra casa, ao lado da que tem a faixa, gritou “aproveita, viado. Teus dias tão contados. Quando Bolsonaro ganhar, vai acabar todos os viados. Vamos matar todos vocês”. Eu estava atravessando a rua neste momento, em direção a minha casa e pedi apenas que ele respeitasse os meninos. Foi aí que a agressão se voltou para mim. Ele falou coisas como: puta, sem vergonha, imunda, você merece morrer também, ta pedindo pra levar uma surra… falou também das minhas partes intimas e outras coisas que eu não conseguu entender devido o nervosismo. Não rebati. Apenas continuei andando até minha casa. Não tive coragem de ir a policia. Poderia contar o wue aconteceu com o auxilio das cameras que tem na frente da casa em questão e na casa com a faixa. Mas a casa com a faixa é de um ex policial, lá vive cheio deles. E o homem que me agrediu vive junto deles.

Anônimo, mulher, parda, hétero, 24, CE
Eu estava saindo da Universidade Federal do Ceará (Campus do Pici) em direcao a saída pela avenida Mister Hall e dentro do campus 2 caras em um carro com a blusa do curso de engenharia me pararam e perguntaram “Ei cara tu vota no mito ou no PT?” No mesmo instante me posicionei a favor do PT e entao eles falaram “É melhor correr viado desgraçado se nao a pedra vai te matar” e aceleraram o carro e atiraram pedras na minha direção.
Anônimo, homem, pardo, gay, 21, CE
Fui votar com alguns adesivos (#elenão; Tarcisio, Freixo e Chico Alencar), subindo a escada da escola um cara acompanhado de outro cara falou “Piranha, maconheira, aborteira, vocês tão fudida quando ele ganhar”
Anônimo, mulher, branca, hétero, 27, RJ

Tenho um adesivo colado no meu carro escrito -ele não- e com as cores do arco íris, usadas pelo movimento lgbt.
Estava na estrada br 040 sentido Secretário-Itaipava levando meus filhos (2 e 4 anos) pra escola quando passa um carro (fiorino branca) com dois homens dentro, fazendo o símbolo e movimento de armas com as mãos, como se estivessem atirando na nossa direção e gritam : mitooooooo, morre sua lésbica suja!

Meu filho mais velho ficou assustado, choroso, perguntando quem eram eles, pq buzinaram pra gente, pq eles queriam que a gente morresse e o que era lésbica. Não consegui pegar a placa, pois estava dirigindo, levei um susto e é uma estrada de alta velocidade. Eles me passaram pela pista da esquerda, rápido e como estava com as crianças no carro, não quis acelerar para ir atrás.

Illa Proença, mulher, branca, bissexual, 27, RJ

eu estava em um BRT quase chegando na integração, e comecei a ouvir um bate boca na parte de trás do veículo. Ouvia uns homens gritando que “Bolsonaro ia matar os gays todos”. Eles estavam gritando isso com duas pessoas LGBTs que estava sentadas. A discussão foi ficando mais tensa até que eles começaram a agredir as pessoas, com tapas e socos. No momento em que o BRT chegou na integração e abriu a porta, todos os passageiros, inclusive eu (que já tava ligando pra polícia antes mesmo de descer), saímos correndo para evitar apanhar também. Os agressores estavam muito violentos, um deles fazia uma chave de braço em uma das vítimas, e quando a outra tentou separá-los, levou socos e chutes. Ainda apareceu um cara com uma arma dando tiro pra cima (como se isso ajudasse de alguma forma). A polícia chegou e prendeu os agressores homofóbicos, mas eu não consegui ver o que aconteceu com as vítimas. Quando peguei o meu ônibus dentro da integração, depois que tudo isso tinha acontecido, me sentei à janela. Um menino de uns 10 anos aproximadamente, chegou junto para ver os agressores, que já estavam algemados sob custódia da polícia. Ele gritou “esses bandidos têm que morrer mesmo! Bolsonaro vai matar eles!”, e eu não sei como consegui manter a calma para conversar com ele, e explicar que quem mata bandido vira assassino. Fiquei muito perplexa como é fácil, e extremamente perigosa a disseminação do discurso de ódio, e o quanto as futuras já estão sendo afetadas por isso.

Anônimo, mulher, branca, bissexual, 26, PE
Eu estava conversando com um cliente e falei que irei votar no Bolsonaro no segundo turno, quando um senhor que estava próximo, se aproximou e falou que a pessoas como eu, branca de olhos azuis merecemos morrer, pois somos nós os culpados pelo Lula estar preso e o Brasil nessas condições.
Anônimo, mulher, branca, hétero, SC

Pessoas vestidas de verde na porta da escola de ADM da UFBA, faziam uma dancinha na porta da zona eleitoral cantando música falando do PT e gritaram comigo e não queriam deixar eu e minha filha entrarmos no prédio porque estávamos de vermelho. Não tínhamos adesivos, nem nada que remetesse à propagada eleitoral de partido algum. Apenas estávamos de vermelho.
Gritaram no meu ouvido e me chamaram de vaca, burra e vagabunda. Não respondi. Continuaram lá durante muito tempo impedindo a entrada de pessoas, mesmo com o carro da polícia lá.

Anônimo, mulher, branca, hétero, 40, BA