Após o término da apuração de votos, eu e meus amigos fomos em um bar beber um pouco para distrair. Quando estávamos sentados numa mesa do lado de fora, um carro parou e começou a nos ofender verbalmente. Achamos que ele iria descer do carro para nos agredir, pois ele estava muito exaltado. Porém o motorista do carro seguiu caminho, e o bar fechou por medo deles voltarem. Não tinha nada que nos denunciasse como opositores, porém eles fizeram questão de dirigir a maior parte do tempo a atenção para um de nossos amigos: Negro, bissexual e com apenas 17 anos. Ele não votou esse ano.

Anônimo, Mulher, Parda, Lésbica, 22, ES

Estavam andando duas moças, uma cis e uma transexual. O resultado das eleições tinha saída fazia um tempo. Um homem saiu do carro com uma arma pra moça trans e disse: “aqui é pai de família, porra! O bolsonaro vai matar viado.” Elas ficaram apavoradas.

Anônimo, Mulher, Branca, Bissexual, 18, MG

Fui com um amigo hoje na Paulista e estava sendo um passeio delicioso. Comprei artigos de papelaria, comprei livros. Me sentia mesmo, muito feliz.
Ao cruzar a Av. Paulista com a Rua da Consolação, caminhava pela faixa em direção ao ponto de ônibus e havia um rapaz, visivelmente alterado, que me indicava ser morador de rua ou usurário de drogas. Eu olhei para ele e estava caminhando na sua frente, mas desviei dele e ele começou uma chuva de insultos contra a minha pessoa. Vou descrever abaixo o que eu ouvi por cerca de 8 minutos enquanto eu esperava o meu ônibus, paralisado de medo:
– SUA BICHA FILHA DA PUTA, VIADO DE MERDA! POR QUE VOCÊ NÃO VAI REBOLAR NA CASA DO CARALHO, SEU FILHO DA PUTA?
– VOCÊ É UM SUJO, FILHO DE UMA PUTA, VOCÊ É O DEMÔNIO, SEU MERDA, ARROMBADO!!
– POR CULPA DESSE DEMÔNIO O MOTORISTA NÃO ME DEIXOU ENTRAR NO ÔNIBUS (sim, o motorista fechou a porta na cara dele no primeiro ônibus que ele pretendia entrar)
E assim seguiu-se por longos 8 minutos sendo hostilizado, com berros e a plenos pulmões, com todas as pessoas no ponto de ônibus olhando para a minha cara, passivos. Eu não podia sair dali, temia que o cara viesse para cima de mim. Não podia olhar para nenhum lado a não ser para a direção de onde viria o meu ônibus. Graças ao Universo, esse rapaz conseguiu seguir o seu destino, ainda me ofendendo de dentro do ônibus.
Me mantive em pé, de peito aberto, com a face erguida. Aquele era o meu espaço e eu não iria me acovardar, afinal eu não tinha nada pelo quê me envergonhar. Quando passou e eu entrei no meu ônibus, sentei e as lágrimas me vieram, porque esse discurso de ódio, a hostilidade e as ofensas foram demais para mim.
Fechei os olhos por um minuto e me lembrei das pessoas que me amavam, dos meus queridos pacientes, dos meus amigos e pessoas queridas. Tentei recobrar os momentos de alegria que até há pouco havia sentido para me reconstruir. Sim, reconstruir porque naquele momento eu havia virado estilhaços.
É esse discurso que mata, fere, ultraja e ridiculariza. A piada, o deboche, o desprezo… ser homossexual nesse país ainda é um desafio. É viver com medo de sair de casa e sofrer uma violência como essa, ou ainda pior… morrer literalmente por conta dessa violência.

E a única coisa que eu mais queria depois que tudo passou era um abraço…

Anônimo, Homem, Branco, Gay, 37, SP

Estava no terminal do Dia em pé ouvindo música, um homem passou correndo e me deu um soco nas costas, após isso ele saiu gritando “Aqui é Bolsonaro 2018” e rindo.

Ana Luiza, Mulher, Branca, Lésbica, 19, SE

Eu estava indo a pé pro trabalho, como faço todas as manhãs. Sempre passo por um salão de cabeleireiro no qual trabalha uma travesti. Muitas vezes, ela fica de lado de fora do salão conversando ou fumando. Nessa sexta, ao passar na frente do salão, escutei um homem que vinha passando num carro gritar pra ela: “quando Bolsonaro ganhar e eu tiver uma 12, vou dar um jeito nisso daí”.

Anônimo, Mulher, Branca, Heterossexual, 31, PE

Quando você esboça para um bolsominion que ele reproduz as falas do Bozo eles se contradizem te agredindo. Ontem fui puxada pelos cabelos, tive meu rosto socado. Pasmem isso feito por uma pessoa formada em educação física que me agrediu moralmente e posteriormente me agrediu fisicamente pelas costas. Veio até mim puxando meus cabelos e me trazendo ao chão com a covardia em uma festa de “família ” (pelas costas, eu não tinha noção que pudesse ser agredida fisicamente). Taquei lhe o cálice em sua face, era o q tinha em mãos para me defender. Fui levada a um quarto da casa. Em respeito a minha tia nada fiz. Mas ele adentrou no quarto me exigindo desculpas, ameaçou minha filha, esse cidadão de bem ordenou: “ou você pede desculpas ou vou te arrebentar”. Mandou a esposa me agredir para que não sofresse represália legal. Ela a todo tempo tentando conte-lo. Eu não fui a delegacia. Eu só sinto medo do que me espera quando o candidato de vocês vencerem essa eleição. Eu vou ser a primeira a partir. Por que não abaixo minha cabeça para ninguém. E a todos os “amigos” que apoiam esse facista, meu belo foda-se, não quero vocês nem por perto. Começou em uma reunião de “familia”. Quando ele for eleito vocês serão o culpados por coadunarem com tudo isso. Não sei se aguento até o fim dessa merda. Só vem a minha cabeça: “C*ralho! Eu fui agredida no seio familiar. Na frente de várias pessoas”. A cada um que me vieram com piadas sobre a falta de perigo de compactuar com quem vota nesse Coiso. Meus amados vocês tem na mão o ódio proferido a mim, a agressão que sofri. Não me chamem de radical ao não querer vocês no meu círculo pessoal. Vocês tem tudo o que passei em suas mãos. Porém eu vou morrer na resistência, o que estiver em minhas mãos para me defender vou usar. Eu senti vontade de morrer e senti medo de ser morta. Não foi uma agressão isolada. Foi o preceito daqueles que saíram do armário para se revelarem agressores com a desculpa ideológica.

Priscilla, Mulher, Indígena, Bissexual, 32, DF

Na noite de domingo na cidade de Amambai/MS um grupo de homens em um carro adesivado e aos gritos de Bolsonaro atiraram contra um grupo de pessoas que passavam na rua. A motivação: homofobia. Foram vários tiros em direção ao grupo que correu e se escondeu no matagal e acionaram a polícia. Isso aconteceu em na avenida principal da cidade, no mesmo dia em que houve atos de apoio a candidatura de Bolsonaro.

Kátia , Mulher, Branca, Heterossexual, 40, MS

No último sábado, por volta de 19h, eu e minha amiga Sandra Valverde, pelo simples fato de estarmos segurando bandeiras do Haddad, quase fomos atropeladas por um homem na Rua do Lavradio. Do nada ele acelerou em nossa direção e, com muito ódio, gritou: “Bolsonaro sim!”. Escapamos por pouco e ficamos em estado de choque.

Angélica Liaño, Mulher, Branca, Heterossexual, 38, RJ

Eu estava em em frente a um estúdio de musica onde ensaio ha anos, na Rua Teodoro Sampaio 462. Desci após o ensaio na porta do estúdio, lugar bem movimentado.
Estava fumando um cigarro com um amigo gay, e conversávamos sobre a vida, política e etc. Apenas de ouvir o nome Haddad, surge um homem que também estava no estúdio ensaiando (depois vi isso), mas ele surgiu do nada e nos atacou. Me deu um soco no peito e disse “não vai votar no Haddad” nisso corri pro outro lado da rua no meio dos carros. Fui coagido pelos donos do estúdio a não dar queixa e além disso esses mesmos donos incitaram a violência dizendo que eu deveria bater nele. Então eles protegeram o agressor e no fim fui atacado verbalmente de forma muito agressiva por uma funcionaria que queria me levar pra um “quarto escuro” pra uma conversa particular. Quando me recusei ela surtou. O dono do estúdio então puxou o braço da minha namorada e pediu q ela me controlasse, dizendo pra eu desistir do pedido de policia que eu tinha feito. Ficamos com muito medo inclusive de chamar a policia. Obrigado pela ajuda. Mto importante o trabalho de vcs!

Leandro Augusto, Homem, Branco, Heterossexual, 33, SP

Ameaçado de morte por uma carro em movimento -lento- por aparentar gay ou progressista, sendo que não utilizava nenhum tipo de adesivo ou característica que ligase á esquerda.

Alex Huscher, Homem, Branco, Bissexual, 19, PR