Eu desci até o mercadinho que há na rua de casa para comprar cigarros e estava lá um senhor tomando cerveja. Uma vizinha, petista, me viu e perguntou se eu achava que Haddad iria ou não para o segundo turno. Respondi que achava sim. Nessa hora, este homem se levantou da mesa e apontando o dedo na nossa cara disse: “Vocês são bandidos!”. Eu perguntei se ele havia me chamando de bandido ou escutei errado, mas ele repetiu: “Você é bandido sim. Quem defende bandido é bandido também, além de vagabundo”. Aí eu respondi que eu era trabalhador e que bandido era ele por acusar sem provas as pessoas. Nisso, o senhor (devia ter mais de 70 anos) tentou me acertar com um pedaço de pau que estava ao lado da mesa dele, mas foi contido pelo dono do bar. E continuou gritando, descontrolado, que havia sido agente do SNI na ditadura militar e que se eu voltasse a aparecer por lá ele me daria um tiro no meio da cara.
R.B., homem, branco, hétero, 40, SP
Estávamos voltando do almoço, em um grupo de cinco pessoas, alguns vestidos de vermelho e com bandeira. Eu e minha amiga estávamos andando no estacionamento de uma entrequadra e um carro, que até então estava devagar, pois estava em um estacionamento, acelerou em nossa direção. Se eu não puxasse minha amiga, teríamos as duas sido atropeladas.
Anônimo, mulher, branca, bissexual, 25, DF
Ocorreu na empresa em que trabalho. A mulher responsável pela limpeza, antes muito amiga (há alguns meses até a presenteei com uma árvore pra calçada dela), na semana passada viu uma “colinha” sobre minha mesa e veio me perguntar em quem eu ia votar no primeiro turno. Falei o nome do meu candidato e imediatamente ela se mostrou indignada. Começou a dizer coisas do tipo “mas você é uma menina formada, inteligente, etc.”. Assim, em todo momento que passava pela minha mesa me atingia com um olhar opressor. Então, ontem (09/10), no cenário após 1º turno de eleição, quando ela chegou (umas 17h30) ela começou a me provocar com olhares e pequenas incitações todas as vezes que passava pela minha mesa, em uma das vezes falou baixinho “petista”. Então, diferente do que costumo fazer, decidi ir embora logo às 18h. Já perto da porta ela veio me perguntar se eu tinha pensado. Eu falei que pra mim só tinha uma opção e ela surtou. Começou a dizer a opinião dela sobre o meu candidato, começou a tentar me mostrar textos e vídeos no celular dela, o que posso dizer que eram “fake news”. Fiquei impressionada como pra ela aquilo tudo tinha tom de verdade. O estopim foi quando ela disse que eu ia defender o candidato que vai fazer leis pros gays e pras vagabundas, a maneira com que ela falava era totalmente opressora, ela estava repetindo o discurso de ódio que o candidato dela propõe. Perguntei se ela achava errado isso, para medir o grau de homofobia dela. Ela disse, sim, de uma maneira que só a tensão do momento traduz.
Erica Matsuda, mulher, amarela, lésbica, 26, PR

Estava em uma manifestação e uma mulher me empurrou longe e gritou “Vai trabalhar vagabunda”. Tinha acabado de sair do meu trabalho e estava exatamente embaixo do prédio onde trabalho.

Anônimo, mulher, branca, hétero, 30, MG

em uma conversa de familia meu tio disse que me preferia morta a ser como sou. Completou dizendo que neste governo ele faria o certo, que deveriamos acabar com as más influências para a familia brasileira.

Anônimo, mulher, parda, bissexual, 21, RJ

Estava com um grupo de amigos e amigas conversando e em um determinado momento puxamos um #EleNão. Logo depois ouvimos um grito de Ele sim e várias pedras vindo em nossa direção machucando algumas pessoas do grupo.

Anônimo, mulher, branca, outro, 30, PE
Algumas pessoas vestidas de vermelho rasgaram minha camisa amarela que estava escrito DEUS ACIMA DE TUDO.
Elesim de Jesus, homem, branco, hétero, 35, RJ

Eu estava indo votar e passaram 3 rapazes comncamisetas da CBF numa Hilux branca, me viram com a camiseta vermelha, apontaram o dedo comnsinal de arma e gritaram : “Petista tem que morrer” e muitas outras ofensas.
Infelizmente não tive como anotar a placa do carro.

Anônimo, mulher, parda, hétero, 48, MG
Um homem negro e gay foi atacado por eleitores de Bolsonaro porque viram ele com adesivos de Haddad. O agrediram w e cuspiram na cara dele dizendo que preto e viado vai morrer quando Bolsonaro vencerGritosDe
Cristina, mulher, negra, bissexual, 41, PE
Levei meu filho na escola e fui correr na pista de cooper do bairro Mangabeiras, de classe alta em BH, com a camisa “EleNao”. Um homem em um audi me ameacou com seu carro (atropelar) gritando e xingando. Fui apoiada e socorrida pelos presentes. Tendo minha integridade física mantida mas com a mente com medo do que se passa no nosso Brasil!
Carol Bragança, mulher, branca, hétero, 38, MG