Eu e meu irmão, no domingo das eleições, voltávamos a pé para casa por volta das 10h30 da manhã, quando um homem parou na nossa frente e disse: se o Bolsonaro vencer, vocês dois vão levar bomba! Eu garanto. Meu irmão é homossexual e nós não usávamos nenhum tipo de identificação “política”, como adesivos ou peças de roupa com cores que nos ligassem a algum candidato/partido.

Anônimo, mulher, parda, hétero, DF

Estava no mercado fazendo compras e usava uma calca capri, q mostrava tatuagens, um homem viu e falou para eu ouvir que quando bostonazi ganhasse nao teria mais vagabunda tatuada pelas ruas se misturando com as pessoas de bem.

Lia, mulher, branca, hétero, 36, SP

Domingo, voltando da votação, minha mãe e eu chegamos ao ponto de ônibus. Estava cheio de mulheres, crianças e jovens. Quando surge um homem gritando: “mulher é tudo vagabunda, merece apanhar na cara mesmo por que gosta. O Bolsonaro vai ser eleito e aí vocês vão ver só o que vai acontecer com vocês, suas vadias.” Eu ia responder e chamar a polícia, mas minha mãe me segurou temendo que ele estivesse armado e colocasse as nossas vidas em risco. Mais cedo nesse mesmo dia eu ouvi outro homem dizendo: “no país do Bolsonaro não vai ter lugar pra preto, pobre e viado.”

Francismar Augusto Ramos Silva, homem, branco, gay, 22, SP

Eu estava votando da seção eleitoral quando um grupo de homens em um bar me acompanharam com o olhar gritando: “Vamos matar veados!”

Anônimo, homem, branco, gay, 29, SP

Estava dando entrevista para uma TV, quando de repente uma mulher se aproximou de mim e gritou “ELE SIM” no meu ouvido, me constrangendo e me deixando visivelmente abalada

Anônimo, mulher, branca, hétero, 60, RJ

No dia das eleições, um homem com a camisa do bolsonaro empurrou a avó de meu amigo no chão pq ela estava com a camisa do Ciro e a xingou . Ela é uma senhora idosa e ficou muito assustada.

Anônimo, mulher, branca, hétero, 31, RJ

Um homem pegou a fila errada na minha zona eleitoral (ele era de outra) e só soube quando a mesária o informou. Ele tentou bater nas três mesárias e ficou chamando outros votantes em Bolsonaro para ajudá-lo a espanca-las. Pessoas ao redor o seguraram até chegar o PM e o levar embora.

Anônimo, mulher, branca, hétero, 30, RJ

Moro no bairro Chácara Klabin, em São Paulo.
No dia 7 de outubro, primeiro turno das eleições, eu havia acabado de votar e fui a uma farmácia, na rua Fábio Prado. Enquanto o atendente fazia o levantamento dos remédios que eu havia solicitado, ouvi um senhor, ao meu lado conversando com outro balconista e pensei tê-lo ouvido declarar o voto em Suplicy – que era um dos senadores em que eu havia votado. Sem pretensão alguma, perguntei a ele: “Você também foi de Suplicy?”, ao que ele respondeu: “Eu não voto em comunista, pra mim, tem que matar todos os comunistas”. Eu disse a ele: “Bem, fim de papo, me enganei, não converso com gente violenta, que prega pena de morte, gosta de arma…”
Ele então me disse que não só gostava de arma, como tinha um revólver em casa. Eu reprovei a violência e a atitude dele e ele disse que se estivesse com a arma ali, já teria matado todos os comunistas que encontrou pelo caminho e o primeiro tiro seria em mim.
Aumentei o volume de voz e, já gritando, perguntei se ele estava me ameaçando. Ele respondeu que sim. Eu, então, peguei o celular, disse que havia ali quatro testemunhas de que ele estava me ameaçado de morte e que eu iria telefonar para a polícia. Ele, então, veio em minha direção, gritou: “Cala a boca, vagabunda” e me empurrou. Pra me defender, eu o empurrei também e ele fechou a mão pra me dar um soco. Os rapazes da farmácia o contiveram.
Eu, já bastante alterada, disse que ele não iria sair dali de jeito algum e liguei para a polícia. A reação dele foi me ameaçar novamente, dessa vez, com a própria polícia: “Chama pra você ver o que te acontece” e foi em direção à porta, para sair da farmácia. Eu fui atrás dele, gritando que ele não iria sair dali enquanto a polícia não chegasse. Nisso, meu marido, que estava me aguardando no carro, e o segurança, que estava do lado de fora da farmácia, ouviram os gritos, o abordaram na porta da farmácia e o segurança pediu a ele que fosse embora.
Infelizmente, não consegui acionar a polícia para fazer a reclamação e não tenho referências para identificar esse cidadão. Arrependo-me muito por, em função do nervosismo, não ter insistido junto ao segurança para que ele o detivesse até que fosse possível completar a ligação para a polícia. Não poderia ter deixado de registrar, oficialmente, queixa contra alguém que representa ameaça à integridade física e moral das pessoas.

Vera Gebrim, mulher, branca, hétero, 61, SP

A pessoa estava saindo do centro espírita quando homens armados passaram na rua intimidando as pessoas gritando que iam tirar o Lula da pessoas e expulsar o PT do governo. Ela é uma senhora de quase 60 anos. Um senhor no prédio ao lado chamou as pessoas da rua para se abrigarem no prédio enquanto o uber não chegava.

Anônimo, mulher, branca, hétero, 30, RJ

Ao sair da casa de uma amiga no domingo de votação, no Leme, fui abordada no sinal de trânsito por um homem com uma blusa com a foto do Bolsolixo, o mesmo começou a me xingar muito no meio da rua, me chamando de vagabunda e várias outras coisas e tentou forçar minha moto pro lado, para jogá-la no chão, várias pessoas presenciaram a cena e ninguém fez nada.
Custei a conseguir sair de perto do agressor e arrancar com moto pra ir embora.
Ps: Minha moto tem um adesivo do #EleNão nela.

Anônimo, mulher, parda, outro, 28, RJ