Terminei de votar e fui andando sozinha até o supermercado que fica no mesmo bairro. Na minha blusa estava escrito “Sou mulher e só voto em quem me respeita” e tinha também alguns adesivos do de deputados e senadores do PT. Um homem bem forte que estava caminhando perto de mim começou a falar alto com a namorada dele que eu estava andando assim pq não tinha um homem pra mandar em mim,a namorada dele olhou pra minha aliança e disse que eu era casada e ele começou a falar mais alto que meu marido devia ser um babaca, um bunda mole por deixar a mulher dele sair de casa assim, eu fingi que não estava ouvindo e continuei caminhando. Estava sozinha e o rapaz era bem forte.

Fernanda, mulher, parda, heterossexual, 32, RJ

Estava andando no bairro de Botafogo, na rua Arnaldo Quintela, com uma tatuagem temporária na mão direita com os dizeres “Ele Não” e três homens começaram a mexer comigo e um deles gritou “Na próxima vez vou trazer minha arma e estourar sua mão!”

Anônimo, mulher, branca, bissexual, 27, RJ

Estava na praça Patriarca em São Paulo , militando com um grupo, nesse dia iria acontecer uma passeata com o candidato à Presidência Sr. Fernando Haddad , quando por um momento distraída, levei um tranco pelas costas, sentindo como um murro, me virei e três rapazes , aparentando ter entre 25 e 30 anos caminhavam rindo e um deles imitou o gesto agressor. Eles eram enormes.

Silvana, mulher, branca, heterossexual, 62, SP

Moro num bairro de classe média. Fui almoçar no restaurante na rua de cima da minha casa e eu não consegui terminar meu almoço. Na mesa ao lado da minha uma MULHER dizia: “essas mulheres que não votam nele são as lésbicas mal amadas e mal comidas, que mereciam ser estupradas pra aprenderem a gostar de homem”. O cidadão de bem que estava com ela complementou: “esses viados têm mais é que morrer, mesmo. Ficam só exigindo direitos e mamando nas tetas do governo”.

Quis responder. Cheguei a levantar da cadeira. Mas estava sozinha e cercada de cidadãos de bem. Voltei pra casa com medo, com fome e me sentindo covarde.

Maria Augusta, mulher, branca, lésbica, 31, PR

Compartilhei um post no meu Facebook e uma pessoa da lista de amigos de um posicionamento político diferente do meu começou a fazer comentários maldosos. (Não divulgamos os prints do Facebook por segurança)

Anônimo, mulher, parda, heterossexual, 26, CE

Estava com uma blusa branca em que estava escrito: mulherão da porra. Ir no supermercado e um homem falou de dentro de um carro: tu deveria morrer feminista de merda. Bolsonaro vai acabar com a raça de vocês.

Anônimo, mulher, parda, heterossexual, 26, CE

Eu fui votar com uma camiseta branca e com um adesivo #elenao colado na minha bolsa. No caminho para o ponto de ônibus parou um carro e o motorista começou a fazer sinal com as mãos para eu entrar no carro. Eu ignorei e continuei andando. Entendo que ele estava insinuando que eu era prostituta. Fiquei com medo. E não olhei mais na direção dele.

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 28, SP

Postei uma foto sorrindo, de camisa vermelha, com legenda, indo votar feliz. Um parente distante, que passou o dia bebendo e fumando cachimbo, comemorando o resultado do seu candidato, respondeu a foto dizendo: se fudeu. Perguntei: eu?! Ele disse: vai se fuder e tantos outros palavrões.

Anônimo, homem, branco, heterossexual, 34, AM

Quando cheguei na minha seção para votar, estava usando uma camisa do PT e adesivos de Haddad, eleitores do Bolsonaro me olharam, fizeram sinal de arma e disseram que Bolsonaro iria aniquilar a esquerda podre.

Anônimo, mulher, parda, bissexual, 20, AL

“Estava na porta do edifício de um amigo, aguardando o UBER. O porteiro começou a ter uma discussao banal com uma mulher que passava na rua. O clima esquentou e ele a ameaçou. Meu presidente Bolsonaro vai ganhar , eu vou ter uma arma e da proxima vez que te encontrar vou meter uma bala na sua testa”

Ligia, mulher, branca, heterossexual, 54, SP