Estava caminhando, com a minha namorada, na Rua Uruguai (Tijuca), quando um grupo de cinco homens me cercou e começou a gritar, apontando o dedo na minha cara, que o bolsonaro ia salvar a minha vida. Eu estava usando um adesivo do movimento #elenão

Natalia Pasetti, mulher, branca, lésbica, 28, RJ

Acabei de ser ameaçado dentro de sala de aula, municipal. Ele falou que ali dentro me respeitava pq eu era o professor dele, mas lá fora não, pq ser gay é nojento e escroto e que se pudesse me mataria. Eu olhei pra ele e disse: Eu te respeito não por você ser meu aluno, mas por você ser ser humano.
Advinhem qual blusa ele estava vestindo em sala de aula? EXATAMENTE!!!
Os alunos queria bater nele, porém eu falei: Não, quem é a favor disso é o coiso e eu sou totalmente contra ele, se vocês fizerem estarão fazendo o que ele prega.

Julio Cesar, homem, negro, gay, 24, RJ

Fui coagido por um taxista eleitor do Bolsonaro. Ele visivelmente viu que eu era gay e ficou falando palavras de odio contra gays e mulheres em favor ao Bolsonaro

Anônimo, homem, pardo, gay, 29, CE

Acabo de sofrer um ataque de um bolsominion. Fui almoçar em um self-service aqui perto da minha casa e lá encontrei uma amiga, que me apresentou a uma outra moça. Sentamos juntas e começamos a conversar. O assunto, como não poderia deixar de ser, era a política, as eleições e nosso medo de que um machista/misógino como o Bozo vencesse as eleições. Ficamos refletindo sobre o que estaria movendo mesmo mulheres a votarem nesse sujeito. O papo rendeu. Uns vinte minutos depois um senhor, de uns 60 anos, com passabilidade de branco, tipo bonachão, que estava numa mesa próxima, se levantou com uma mulher que parecia sua esposa, e passou olhando bem feio para a gente. Coisa de cinco minutos depois ele retornou, abraçado a um outro homem (que não abriu a boca) e interrompeu a nossa conversa, aos gritos: “Eu voto no Bolsonaro! Eu voto no Bolsonaro!”. Eu virei para trás e disse: “Ninguém tá perguntando sua opinião!” Ele: “Eu ouvi vocês falando, Bolsonaro vai ser presidente!” Eu (já também aumentando a voz): “O senhor é muito mal educado, ficou ouvindo a conversa dos outros é? O que você tem a ver com a nossa conversa?” Ele: “Eu não vou aceitar nunca que meu neto cresça pensando que homem pode ser mulher e mulher pode ser homem! E mulher pintando as unhas de preto (Implícito: como uma puta)! Nunca vou deixar minha neta fazer isso!”. Aí eu levantei da cadeira e perdi as estribeiras: “Meu filho, tá pra nascer macho que vai dizer a cor que nós mulheres vamos pintar as unhas! Ou o que podemos ou não falar! Você entendeu? Não é Bolsonaro que vai mudar isso não!!!!!”. Ele saiu esbaforido. Podia ter me atacado e só me senti segura porque estava acompanhada da minha amiga que é faixa preta no karatê!!! Vai vendo onde vai dar essa merda toda… a caixa de pandora do que é pior do machismo, do racismo e da homofobia já foi aberta e, independentemente do resultado das eleições, já se fez o estrago. Pessoas como esse ser se autorizam a atos insanos como esse, sem respeito, sem limite. Fica a pergunta: Agora temos que tomar cuidado até para conversar num espaço público?

Valeska Zanello, mulher, branca, heterossexual, 44, DF

Durante o feriado de 7 de setembro, na praia do Estaleiro em Ubatuba, após muitas horas ouvindo música muito alta e intermitente do vizinho, fui até a porta da entrada da casa de onde vinha o som e pedi gentilmente para baixar o volume pois uma única caixa acústica incomodava a praia inteira. O homem alcoolizado gritava e berrava por 2 horas ininterruptas ameaçando que iria me rasgar e me furar. Ouvia seus amigos o segurando para que ele não viesse até minha casa onde estava hospedada apenas com outras mulheres e crianças. Ouvindo funk, o homem gritava sons que para mim eram claramente de tom sexual e abuso. Fui humilhada como mulher, axingalhada e ouvia com medo as ameaças direta deste ser. Além de me diminuir como mulher ele gritava, “aqui é Bolsonaro! Vou te pegar!”. Refleti muito e tive que devolver as chaves da casa permanente que alugava pois percebi que corria real risco de vida. Senti-me violentada, agredida verbalmente com tons ameaçadores de ódio. Ameaças reais. Não poderia voltar a esta casa pois entendo que se este homem bebesse novamente e me visse na praia (de forma vulnerável) ele poderia vir para cima de mim em uma praia com pouquíssimos vizinhos. Não teria para onde correr. Trabalho com comunidades tradicionais, sou mãe e não posso deixar calar nossa voz. Com muita dor, interrompi o início de diálogo e minha frequência naquela praia e com as comunidades no território de Ubatuba pois não desejava ficar e esperar pelo pior. Lamento ter todo um caminho interrompido, meses de construção e energia depositados tendo que sair de lá por ameaças tão diretas.

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 44, SP

Estava passeando no centro com minha irmã, abraçadas, um homem passou por nós e falou baixinho pra mim “Bolsonaro 2018”. Demorou pra cair a ficha que era uma ameaça pois sou visivelmente lésbica.

Anônimo, mulher, branca, lésbica, 27, SP

um carro Fiat Siena cinza escuro parou na esquina da lima e silva em frente a farmácia skifarma, onde ao lado fica o comitê de um candidato da oposição, no carro haviam 4 ou 5 pessoas 2 eram mulheres, desceram do carro e começaram a ameaçar o pessoal do comitê de posição, a discussão ficou mais acalorada e eles tentaram agredir as pessoas do comitê que de imediato fecharam as portas, uma pessoa da janela gritou algo contra os agressores do carro q revidaram jogando algum objeto em direção a janela da pessoa do prédio. Os agressores entraram no carro e sairam rindo.

Vinícius, homem, branco, heterossexual, 33, RS

Estava numa fila enorme com meu filho de 9 anos quando houve uma correria dentro de uma seção, pensei que fosse briga e permaneci no mesmo lugar. Logo após começaram a gritar que estava armado e chamando polícia. Fomos levados pela multidão e meu filho chegou a se machucar e perder o chinelo.  momento de muito desespero na zona 20 (escola parquinho engenho de dentro) em torno das 12:30.

Jaque Anjos, mulher, branca, heterossexual, 32, RJ

Xingamentos, incentivo ao suicídio, músicas ofensivas, humilhação pública pela internet, me prenderam na parede, violação de bens

Bárbara, mulher, parda, bissexual, 16, GO

Agressões verbais, incitação ao odio na rua por eu estar com uma blusa com #elenao acompanhada da minha namorada. Gritos como “sapatao”, “bolsonaro 2018”

Clara, mulher, branca, lésbica, 26, RJ