Eu estava sentado na porta do condomínio esperando o motoboy com a comida, um dos condôminos passou e disse que quando o candidato dele ganhasse eu não iria poder mais usar a camisa de viado que eu usava, que se me visse haveria consequências. A camisa em questão é a BHARBIXAS.
Michel, homem, branco, bissexual, 29, MG

Fui ao Shopping Recife, ver a Pré-estreia de um filme ótimo com amigos onde fui convidado, passei a noite tranquila me divertindo e quando saio do shopping escuto do segurança: Bolsonaro tá chegando pra dar um jeito nessas bichas.
A dor e angústia bateu na hora, o medo de andar na rua e ser morto a qualquer momento é ENORME!

João Cavalcanti, homem, branco, gay, 26, PE
Estava com o meu namorado no ponto de ônibus quando encostou um carro, eu fui em direção a janela porque achei que o cara tava pedindo informação. Ele perguntou “quem come quem aí?” e saiu fazendo arminha com a mão dizendo “vai morrer”
Anônimo, homem, pardo, gay, 24, RJ

Estava esperando o ônibus na Boa Vista com a camisa do ‘ELE NÃO’ e um homem me empurrou e disse: ‘não te empurro na frente do ônibus porque ainda não posso, feminista nojenta.’ Riu e foi embora.

Camila, mulher, branca, lésbica, 23, PE
Minha namorada e eu estávamos num bar com um casal de amigas após votarmos, quando passou na TV a porcentagem de votos dos presidenciáveis. Logo após, um homem de aproximadamente 50 anos, ao ver que seu candidato se encontrava liderando o ranking, gritou “agora mulher só vai beijar mulher dentro do quarto!”, seguido de “eu como vocês todas!”, voltando sua cabeça para nossa mesa. Senti um medo imenso e inexplicável.
Bruna, mulher, branca, lésbica, 26, ES
Eu, minha namorada e outros 8 amigos fomos beber na porta da distribuidora Empório Araguaia, que fica localizada na Rua 3 no Centro da cidade após sairmos de mais uma noite do Goiânia Mostra Curtas, um festival de cinema que muitos ali estávamos trabalhando. Por volta de 01:00 da manhã do sábado para o domingo (6 para 7), um homem chegou de moto na distribuidora, comprou um Gatorade e já foi logo perguntando para a nossa rodinha de amigos se “amanhã votaríamos no Bolsonaro” e logo consertou o nome para “Haddad”. Nós ignoramos ele e continuamos a conversa entre nós. O homem insistiu em perguntar se votaríamos no Haddad (mostrando, inclusive, que ele tinha 3 adesivos do Haddad na moto), e uma de nossas amigas respondeu que a gente não tava a fim de conversar. Ele então começou a dizer que ela era muito mal educada, mas continuamos ignorando. Ele passou a levantar a voz, xingando essa mulher e apontando dedos. Ela então levantou da rodinha que estávamos no chão e pediu desculpas por ter sido grossa, na tentativa de que ele parasse de falar daquilo. Voltou a sentar no chão e ele passou a agredir ela verbalmente com o tom de voz novamente alto. Ela levantou outra vez, dizendo que ela tava sendo educada até então, mas que agora ele tava sendo inconveniente e que era melhor ele ir embora. O dono da distribuidora também pediu para ele se retirar pois estava incomodando os clientes. O homem então começou a xingá-la gritando na cara dessa mulher. Nesse momento eu e outras 3 pessoas nos levantamos para pedir para ele se afastar, uma dessas pessoa era a namorada dessa mulher que falou mais alto pedindo para ele não xingá-la daquela forma. Ele então passou a gritar na cara da namorada, colocando o dedo na cara dela e por fim encheu o peito pra empurrar ela. Nesse momento todos levantaram e começamos a empurrar ele daquele lugar e ele logo já foi dando vários socos em quem estava por perto aos gritos de “por isso eu voto no Bolsonaro”, “eles vão matar todos vocês”. Fomos segurando e sendo machucados até chegar em uma casa na esquina, onde dois moradores da casa se aproximaram do portão e começaram a observar o que estava acontecendo. Eu comecei a gritar para o casal chamar a polícia e eles estavam parados! Eu continuei gritando pra eles, até que o homem respondeu que “a polícia não vem não”. Eu pedi ajuda e só o que conseguiram responder é que “se o cara tava batendo em mulher, ele tinha mais era que apanhar da gente” e continuaram parados no portão querendo ver violência gratuita. Éramos 10 pessoas contra uma única e só o que pensamos foi em imobilizá-lo até conseguirmos ajuda. Tentamos inúmeras vezes conter o homem, mas ele era muito forte e conseguia se soltar e nos machucar com mais socos e empurrões. Uma das pessoas ligava para a polícia enquanto isso acontecia, mas a única resposta que tivemos é que não adiantaria a polícia ir lá naquele momento. Um dos rapazes que estava com a gente conseguiu dar uma gravata nele em algum momento que o derrubou no chão, e por acharmos que ele estava ficando inconsciente, nosso amigo logo soltou o braço em volta dele. Ele estava fingindo que havia desmaiado e levantou na mesma hora pegando uma pedaço do concreto da calçada que estava solto e jogou em nossa direção. Pegou outro pedaço de concreto pesado no chão e jogou mais uma vez. Os concretos não pegaram na gente, mas ele começou a ameaçar esse homem de morte e começou a ligar para algumas pessoas dizendo que “eles tavam vindo pra matar a gente”. Nesse momento um segundo homem havia chegado no local dizendo que era amigo desse homem e ainda mostrou a carteira de policial pra gente, mas só o que ele conseguiu fazer foi dizer com muita delicadeza para o “amigo” dele parar de bater em mulher que aquilo estava errado. Tendo noção de que ele só não pararia de bater na gente, começamos a pegar nossas coisas que ainda estavam no chão para irmos embora. Ele começou a gritar que não adiantava chamar ajuda, que ele não ia preso. Nesse momento ele pegou uma garrafa de vidro de cerveja e começou a mirar em um dos nossos amigos e jogou na direção dele com muita força. Por sorte, ele conseguiu desviar e a garrafa acertou a frente de um carro que passava na rua no momento, estourando na roda, mas sem causar maiores problemas. O cara que dirigia o carro só acelerou e nem teve coragem de parar. Nós estávamos em 3 carros e uma moto. Todo mundo começou a entrar em seus veículos e antes que pudéssemos sair, o homem ainda deu uma voadora no carro da mulher mencionada no início quebrando completamente o retrovisor do carro dela, que ficou preso apenas pelos cabos. Foram quase 30 minutos desse terror e saímos bastante machucados do local. Essa mulher recebeu 2 socos na cara, eu recebi um murro na costela e fiquei com os braços doendo nas tentativas de segurá-lo, minha namorada deslocou o ombro também tentando segurá-lo, todas as outras meninas foram empurradas, muitas se machucaram ao caírem no chão e também levaram vários mãos na direção do rosto e da barriga, os 3 meninos que estavam com a gente levaram socos e chutes. Perdemos alguns pertences na correria do local e ninguém além de nós mesmos teve coragem de nos ajudar, de qualquer forma que fosse. As pessoas não são solidárias e definitivamente não dá pra confiar em pessoas que não reagem a toda essa violência declaradamente fascista. Não acreditamos na polícia que temos nesse estado de coronel e todos nós decidimos não tentarmos outra vez a “ajuda” da polícia. E se a gente não ia denunciar, não tinha porque fazermos B.O. ou laudo pericial de lesão corporal. As pessoas nos cobram provas, mas ignoram a realidade e de que lado a justiça atua. Após o ocorrido fomos para um lugar seguro, conversarmos sobre tudo o que tinha acontecido e conseguimos compreender algumas das coisas daquela noite. Considerando que o discurso dele a todo tempo era pró-Bolsonaro, entendemos que os adesivos na moto não eram nada menos que pura isca para o papo dele e que ele saiu naquela madrugada na intenção de arranjar briga totalmente consciente do que procurava. Entendemos também que ele não parecia bêbado por conta dos movimentos que não estavam debilitados, ao contrário, o Gatorade só nos fez refletir que ele possivelmente deveria estar sob efeito de cocaína. Entendemos também que nós, que somos esquerda e constantemente resistência, não lidamos com a violência da mesma forma que a onda fascista. A gente não bate pra matar, mas pra se defender.
Bruna Chamelet, mulher, branca, lésbica, 28, GO
Fui estuprada por garotos no centro acadêmico de Ciências Sociais da UFPR por estar com um adesivo do #elenao. Tive que fazer sexo oral a força com eles ameaçando me agredir e me violaram
Anônimo, mulher trans, branca, gay, 22, PR

Eu estava andando de mãos dadas com o meu namorado e passou um carro e de dentro um homem gritou. Isso vai acabar. Bolsonaro vai acabar com os viados. Uma agressão semelhante tinha acontecido já há uma semana, dessa vez por um motoboy. A região da cidade que a agressão se passou nas duas vezes foi no centro, nas imediações da Reitoria da UFPR.

Augusto Menna Barreto, homem, branco, gay, 42, PR

Voltando a pé da escola onde voto, um senhor cruzou meu caminho na Av Engenheiro Armando Arruda Perreira, por volta das 14h, me empurrou e começou a gritar: VAI DAR O CU, SEU VIADINHO, VEM CHUPAR AQUI! CHUPA AQUI! VOCÊ TEM QUE DAR O RABO, VIADO FILHO DA PUTA.
Era tanto ódio que saía da boca dele, mas tanto ódio. Eu fiquei em choque, perplexo, totalmente sem reação.
O empurrão foi fraco, não me machucou. Mas a violência moral e emocional dói demais, ela estilhaça, devasta.
É tão triste saber que esse ódio está emergindo com tanta força e com a cumplicidade da massa de bem intencionados. É o mal banalizado batendo à nossa porta.

Mais do que medo ou raiva, eu só senti tristeza.

Quando eu falo que o discurso de ódio ameaça minha existência eu não estou exagerando. Quando falo que tenho medo por mim, pela minha mãe e pelos meus amigos eu não to fazendo drama.

Se você ainda cogita votar em um candidato que acredita que a minha existência é por falta de porrada, espero que não precise ver o meu sangue escorrendo pra ter empatia por mim. Que o seu antipetismo não seja justificativa para o seu ódio.

Eu estava junto com minha mãe e fico me perguntando o que aconteceria se aquele senhor estivesse armado.
Ainda é tempo de fechar essa porta e lutar pela democracia.
Hoje e sempre, #elenão #elenunca #elejamais

Caio Balthazar, homem, pardo, gay, 31, SP
Fazia aulas de ballet em uma academia havia 5 meses aproximadamente. Existia um grupo no whatsapp para troca de informações a respeito de ensaios e aulas. Nesse dia, a dona da escola encaminhou uma mensagem sugerindo ao grupo para que votassem no Bolsonaro pois ele “valorizaria a cultura”. Eu me posicionei contra, e enviei links de notícias que mostravam o contrário. Fui, mesmo sendo aluna, excluida do grupo sem nem haver possibilidade de dialogar. A noite quando fui pra aula, comentei com um colega que não sabia se continuaria fazendo aulas pois estava chateada com o ocorrido, mas que veria até o final do mes. Este colega foi falar para os donos da escola, que me chamaram para uma conversa me obrigando a fazer cancelamento do contrato, pois não me queriam mais na escola. Fui expulsa por “mau comportamento”, agredida verbalmente e agredida fisicamente quando tentei gravar a agressão. Já dei queixa na polícia.
Anônimo, mulher, branca, hétero, 21, RJ