Não sei como começar porque as palavras estão escapando e estou com enjôo proveniente do medo. Na parada da dom bosco, na boa Vista, um homem intimidou eu e outra moça dizendo “Quando Bolsonaro ganhar vai matar mulher”. No primeiro instante reagimos e gritamos “tá doido???” e outras o expulsaram. Ando no centro do Recife desde os 11 anos de idade e nunca me senti com medo e tão insegura. Tá foda resistir.

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 27, PE

Indo pra escola, com um adesivo escrito “Ele Não” do PSOL, um homem me parou e arrancou o adesivo de mim, falou “Ele sim sim” com um tom mt agressivo. Eu continuei andando mas ele me seguiu, ficou tem ando falar comigo, e eu, ingenuamente, parei pra ouvir ele. ele meteu a mão na minha cara com mt força, por sorte não fez nada mais que isso pq eu corri de volta pra casa, ele me seguiu por um tempo dps foi embora

Anônimo, homem trans, branco, bissexual, 17, RJ

Eu estava voltando do colégio eleitoral Julinho e uma senhora me atacou e gritou : nao evoluiu viadinho… eu estava com uma vermuda bege e colados adesivos coloridos de elenao

Cassiano, homem, branco, gay, 32, RS

Minha mãe estava num consultório médico, quando a médica perguntou pra ela em quem ela ia votar. Minha mãe é esperta desconversou. Quando ela finalmente recebeu os resultados, disse pra médica que não iria votar no bolsonaro. A médica expulsou a expulsou do consultório aos gritos, dizendo que ela gostava de ladrão

Anônimo, homem, branco, heterossexual, 37, ES

Estava acompanhado numa lanchonete e dois homens da mesa ao lado começaram uma conversa direcionada a gente. Diziam que tinha ódio de gente como a gente, que espancariam a gente e que deveríamos morrer.

Anônimo, homem, pardo, bissexual, 30, RJ

Estava na fila da votação quando um homem começou a pedir que a filha votasse no Bolsonaro e a mesma se negou. Eu estava atras da moça, ele virou para mim com o papel com a legenda do partido e falou: Toma vota no Bolsonaro, eu respondi não obrigada, votar nele e ir contra o que acredito, seria como colocar o meu pescoço na forca. Quando olhei para o lado, meu irmão saia de outra seção, me viu e veio falar comigo, meu irmão tem a pele mais escura que a minha, quando ele saiu o homem virou para a filha e disse “Ah agora eu entendi, são os filhos daquele negão lá da esquina, esta explicado”. Subjulgo meu pai e nem o conhece, simplesmente pela cor da sua pele, isso é triste. Fiz um post no face e outro eleitor dele comentou, confirmando que a atitude preconceituosa do outro foi correta, apaguei o post, mas senti esse odio que esta crescendo. Isto é muito triste.

Danny, mulher, negra, heterossexual, 35, SP

Eu e meu namorado saímos de um restaurante no Largo do Machado e estávamos caminhando na Conde se Baependi (sentido Praça São Salvador). Eu estava com um pequeno adesiso #elenão e meu namorado com um adesivo de PT na camisa. Um cara começou a gritar à uns 5 metros atrás de nós “seus merdinhas, agora vcs estão fodidos. Seus merdinhas. É Bolsonaro”. E entrou no prédio classe média, na nesma calçada que ele nos agrediu verbalmente. .

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 37, RJ

Estava falando ao celular, que tem um adesivo escrito “ele não, enquanto esperava o sinal de pedestres abrir para eu atravessar. Nesse instante dois homens se aproximaram e olhando pra mim, um deles disse: essas menininhas que acham que tem opinião, quero ver quando pudermos meter a mão nelas.”

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 22, MG

Não tinha lugar pra estacionar na frente do local de votação então tive de colocar numa rua proximoestava vestida com uma camiseta da frida kaalo escrito #ELE NÃO e estava vindo na rua um rapaz com a camiseta com o rosto do Bolsonaro ele me olhou e na hora que passou por mim deu uma cotovelada e me chamou de vagabunda, não tive nem tempo de responder pois me desequilibrei e quando me dei conta já estava bem adiante, procurei por algum policial mas só encontrei na frente da escola, como estava me sentindo mal com a situação e com medo deixei pra lá. Votei e fui embora.

Graça Silva, mulher, branca, heterossexual, 53, RS

Estávamos chegando ao local de votação, a calçada era apertada e só passava uma pessoa de cada vez. Meu pai estava na sua vez e, quando ele tava terminando de passar, um homem veio na direção contrária, esbarrou nele e deu uma cotovelada, atingindo o braço e a barriga. Detalhe: estávamos vestidos de camisa vermelha.

Anônimo, homem, branco, heterossexual, 26, PE