Estava no metrô indo pro trabalho, em pé ao lado de uma jovem que assistia o vídeo do Paulo Gustavo no celular em que ele apoiava a campanha #elenão. Dois homens brancos, estilo playboy, olharam pra gente e identificaram o vídeo. Quando o metrô esvaziou um pouco eles se aproximaram da gente quase encostando o corpo e nos forçando a recuar para a parede do trem. Fizeram o gesto de arma com a mão e nos xingaram de vagabundas feministas. Disseram que merecíamos ser estupradas e ainda “tomar muita porrada”. Não deu tempo de reagir, isso aconteceu em menos de 2 minutos antes das portas abrirem na estação Flamengo, onde eles desceram.

Dayse, mulher, branca, lésbica, 56, RJ

Estava no Restaurante Lamas, por volta de 20h da noite, assistindo a apuração na TV. Quando saiu o primeiro resultado de presidente com Bolsonaro na frente começou uma discussão entre uma mesa de eleitores de bolsonaro e ciro. O eleitor do Bolsonaro disse pra uma eleitora do ciro que o cabelo dela era ruim, pois era enrolado, em clara demonstração de racismo. A confusão se tornou uma briga física e os eleitores foram segurados pro outros clientes do restaurante. Em outra mesa, um eleitor de bolsonaro gritava “vocês vão se ferrar”.

Anônimo, mulher, branca, lésbica, 37, RJ

Estava voltando do meu colégio eleitoral e tinha um adesivo do Ciro no ombro e uns adesivos de “ele não” na bolsa, que estava para trás. Um homem embriagado ao redor de 30 anos pegou seu celular para me filmar, perguntando “é Bolsonaro ou não é?” enquanto ria com seus amigos na frente do bar. Pedi para apagar e ele só zombou de mim, mostrando a galeria de vídeos com vídeos de outras meninas. Consegui fazer apagar, mas ele ficou me xingando e filmando enquanto eu ia embora.

Anônimo, mulher, parda, bissexual, 21, RJ

Estava andando de legging e uma camiseta cavada voltando da aula de circo, quando passei do lado da mesa de 4 homens heteros que gritaram e bateram na mesa quando eu passei, repetindo que faltava pouco para o Bolsonaro entrar e isso acabar.

Daniel Rosa Fernandes, homem, negro, gay, 30, RJ

Chegando na sessão eleitoral de blusa branca e calças jeans sem adesivos ou nemhum tipo de objeto que demonstrasse intenção de voto. Estava ao lado do meu namorado quando 3 homens vestidos de camisa da seleção brasileira de futebol passaram por nós e gritaram “pei pei pei, esses vão ser os primeiros a morrer”

Anônimo, homem, branco, gay, 28, CE

Fui mesária na escola Roberto Bastos telechea, parque Marinha, rio grande. Quando uma pessoa foi entregar o documento p o mesário um homem gritou de fora da sala pela janela: se não votar no Bolsonaro vou mandar matar. Eu disse: eh crime isso. E ele disse: não tô nem aí, vem me prender. Saiu correndo. Constei em ata e chamei fiscal

Francine, mulher, branca, heterossexual, 34, RS

Estava com uma camisa escrita “ele não” andando na calçada da rua nossa senhora de Copacabana. Cruzei com um homem branco vestindo uma camisa com a imagem de bolsonaro. E fui xingada de “vadia debochada” sem ter expressado nenhuma palavra nem gesto. Depois do xingamento, ainda assustada com a agressão, consegui responder para as pessoas que viram a cena: “olha o nível da violência e intolerância”.

Thais, mulher, parda, heterossexual, 33, RJ

Estava na fila da minha sessão de votação, os eleitores de Bolsonaro, vestidos com suas camisas estampadas com o símbolo do fascismo e camisas da CBF começaram a intimidar quem estava na fila de camisa vermelha, dizendo pra não votar no PT ou veríamos o que era bom pra tosse. Eu intervi. Falei que aquilo era um crime eleitoral, elas alegaram que não era crime e que estavam apenas expressando que iriam Vitta no Bolsonaro. Só pararam porque me identifiquei como advogada. Os mesários não fizeram nada, nem a polícia que estava no prédio.

Anibal, mulher, branca, heterossexual, 24, PE

Dia 08/10 de manhã fui fazer uma cópia na esquina de casa, e no retorno um senhor de mais de 60 anos, alto e forte parou do meu lado no semáforo, estávamos só eu e ele. Ele olhou para mim com raiva e proferiu: “se alguém falar mal do Bolsonaro eu dou um soco no meio da cara”. Falou isso isso batendo forte com o punho fechado na mão. Eu virei para ele surpresa e perguntei se aquilo era uma ameaça. No que ele respondeu: “Se você falar mal do Bolsonaro, vou te dar um murro no meio da cara”. Eu disse que ele estava cerceando a minha liberdade de forma violenta, e ele continou me ameaçando e falando para eu sair da frente dele. Nisso, o semáforo abriu e nos separamos.

Anônimo, mulher, branca, bissexual, 31, RS

O motorista do uber viu meu adesivo #EleNão , antes de eu entrar no carro. Disse que eu era PTista e que não iria me levar, em seguida me chamou de piranha e foi embora.

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 25, RJ