Estava escolhendo fraldas para minha sobrinha, numa farmácia, parado em frente à estante. Na minha mochila tinham dois adesivos, um de candidato à presidência e outro de deputada federal. Além dos adesivos tinha um boton do “#EleNão”. Dois senhores ao perceberem os adesivos começaram a conversar em voz cada vez mais alta dizendo que se o Brasil fosse um país sério, quem apoia determinado partido deveria ser fuzilado.

Anônimo, homem, pardo, heterossexual, 32, RS

Dia de votação, tinha acabado de acordar e resolvi ir votar. Coloquei o primeiro moletom que achei na frente e fui (era um moletom vermelho). Chegando perto do local de votação, começaram a me chamar de comunista e a me ameaçar

Anônimo, homem, branco, heterossexual, 23, PR

Minha blusa tinha os seguintes dizeres: SOU MULHER E SÓ VOTO EM QUEM ME RESPEITA. Além disso estava com adesivos dos meus candidatos, todos do campo progressista. Meu pai é eleitor de Bolsonaro e durante todo o processo eleitoral tivemos discussões, mas nenhuma resultou em agressão. Ao chegar em casa, ele me viu adesivada e com a blusa, ele me agrediu verbalmente. Agressões psicológicas, emocionais e financeira. Tive que segurá-lo para ele não me agredir fisicamente. Ele estava justificando a agressão, pois, segundo ele, eu deveria votar em quem ele queria já que ele me sustentava. Eu, mulher, fui reprimida dentro de casa por me utilizar dos meus direitos de cidadã: votar e me manifestar politicamente.

Anônimo, mulher, parda, bissexual, 22, RJ

Eu estava andando na rua com um adesivo LGBT do meu candidato a presidente (Boulos), estava chovendo e vi de longe um cara com a camisa do Olavo de Carvalho se aproximar de mim, ele fechou a mão e tentou me dar um soco, eu me joguei pra trás e coloquei o guarda chuva na frente dele, ele continuou andando gritando “sua sapatão lixo, lixo candidato lixo, lixo sua lixo”. Estavamos na frente de dois bares e tinha muitas pessoas olhando.

Anônimo, mulher, branca, bissexual, 21, PR

Estávamos no centro espírita da minha tia em Itaguaí e depois do resultado da eleição descemos para um barzinho comemorando o segundo turno, éramos cinco mulheres e todas de branco, mas com roupas comuns. Um carro parou no meio fio e dois homens armados apontaram as armas para nós e disseram que quando o Bolsonaro for eleito eles voltariam para acabar o serviço. Outro homem no carona olhou para cima, anotou o nome do lugar, eu acho e eles foram embora.

Joana, mulher, parda, heterossexual, 25, RJ

Eu estava voltando de uma manifestação contra Bolsonaro, no meu corpo estava escrito #EleNao. Um homem parou com o carro do meu lado, gritou “gostosa”, e fez gestos para que eu entrasse no carro. Apressei os passos em direção contrária e o ouvi gritar ” Sua feminista lixo, é por isso que eu voto no Bolsonaro”.

Eliane Silva, mulher, parda, heterossexual, 20, BA

Aconteceu no Méier onde o Filho do troço estava fazendo campanha. As pessoas que passavam com adesivo do #EleNão. As mulheres eram xingadas de puta, piranha ,vai aprender a pensar vagabunda e teve até um senhor negro que foi empurrado por um deles porque gritou corrupto. Mais a frente camelôs eleitores do #elenão gritavam :” Quando bolso** ganhar, viado e sapatão vão morrer! “

Vanessa, mulher, parda, heterossexual, 29, RJ

Eu estava às 6:30 da manhã no ponto de ônibus em jacarepaguá na zona oeste do Rio, veio um ônibus lotado em direção ao centro da cidade, fiz sinal e ele parou, quando coloquei o pé no degrau o motorista e uma cambada de machos(ônibus lotado deles) começaram a gritar “Bolsonaro” com muito ódio e me impediram de entrar no ônibus. Óbvio que não justifica mas vale ressaltar pra uma melhor contextualização: eu estava de short curto e rabo de cavalo. Sou homem com as perna peludona, cabelão e barba bem bicha. Foi assutador!

Anônimo, homem, outro, 24, RJ

Eu estava no elevador quando um homem, hétero e branco, idoso olhou pra meu adesivo – um único adesivo – e depois me encarou, fez sinal de arminha e perguntou o que significava. eu respondi “lula livre” e ele disse “lula ladrão, tem q ficar onde esta” e falou alto “ele sim” antes de eu sair do elevador.

Anônimo, mulher, branca, heterossexual, 19, RJ

Fui vítima de xenofobia, por ser nordestina. Fui chamada de Analfabeta e tive que ouvir que a culpa do candidato dela não ser eleito era “nossa”. Ouvi também que por eu ser nordestina e morar no Amazonas, eu deveria negar minhas origens e nao me considerar de onde sou e ficar calada. Atualmente curso uma segunda graduacao na Universidade Federal, sendo a primeira pessoa a ter ensino superior na minha familia.

Karen, mulher, branca, heterossexual, 23, AM