Segunda-feira pós eleições e com resultado conhecido, cheguei em meu local de trabalho e fui hostilizado pela equipe da empresa com palavrões de baixo calão, e dizendo que por culpa minha e de outros desgraçados principalmente os nordestinos, o Bolsonaro não ganhou em primeiro turno as eleições e que se eu não votar certo no segundo turno, iriam fazer de tudo para que eu perca o emprego pois a raça Petista é maldita e deveria morrer
Anônimo, homem, branco, hétero, 41, SC
Eu e a minha namorada fomos juntas votar. Ela com um adesivo e eu com um broche, ambos escritos “ele não”. Já é algo habitual andarmos nas ruas e pessoas nos menosprezarem com seus olhares, assim como não é novidade alguma determinados comentários inconvenientes e ontem essas situações ganharam uma proporção ainda mais séria. Aguardava em uma fila para *exercer um direito político* junto dela, quando alguns eleitores do fascista também entraram na fila (vestindo camisas com a cara de seu candidato estampada), e, pouco mais à frente uma mulher que parecia religiosa também aguardava sentada pois já tinha certa idade e estava com uma criança. Eu e ela conversávamos apoiadas uma na outra, abraçadas. E a dita mulher começou a cantar uma música que se referia a pecadores, Deus e ao inferno. Logo depois começou a falar que estávamos fazendo pouca vergonha na frente das crianças e que ninguém era obrigado a nos ver juntas, e foi aí que conseguiu o apoio dos eleitores do Bolsonaro. Daí em diante fomos obrigadas a ouvir uma série de hostilidades. “Quando meu candidato for eleito vão ver só”; “O inferno aguarda vocês”; “Se quer ser homossexual que sejam entre 4 paredes”; “Eu vou adorar ver esses comunistas se fudendo”; etc. A partir daí muitas pessoas começaram a corroborar com aquelas falas ditas direcionadas a nós em voz alta.
Anônimo, mulher, branca, lésbica, 21, RJ
Dois rapazes se aproximaram de mim e me disseram que eu apanharia pra aprender em quem votar, eu vestia uma camiseta vermelha Lula Livre
Robson, homem, branco, hétero, 38, PR
Estava andando na rua, indo pegar meu ônibus, um caminho que faço todo dia. Do nada, um homem arrancou meus fones de ouvido, segurou no meu ombro e falou baixo pra mim “a gente vai te queimar, viadinho. Espera só o mito ganhar.” Depois disso ele me empurrou e foi embora andando. Eu nunca vi esse homem na minha vida.
Mateus, homem, branco, gay, 19, RJ
Estava comentando com um conhecido na academia sobre quem votar no segundo turno. Ele disse que não iria votar em ninguém, eu tentei conversar para mudar de opinião e ele me interrompia. Parei de falar e ele disse que não era para eu ficar chateado com ele e que se algum “homofobico” mexer comigo era pra eu avisá-lo, eu disse que não tinha problema eu sei me defender, no mesmo instante ele me pegou em um mata-leao e dizendo “e assim?” em tom de brincadeira, logo depois ele me soltou, mas me senti bastante coagido após essa situação
Anônimo, homem, negro, gay, 24, BA
Estava indo trabalhar com uma camiseta rosa (era o dia que todo mundo tava de rosa por causa do Meninas Malvadas) lá pelo 12h, indo trabalhar, um cara passou por mim e falou “to torcendo pro Bolsonaro ganhar pra acabar com essa viadagem”.
Anônimo, homem, amarelo, gay, SC
Dois meninos foram armados para a Universidade de Passo Fundo (UPF) e começaram a coagir principalmente as mulheres que não vatavam no Bolsonaro. Hoje dia 10 vai ocorrer uma plenÁRIA no DCE para falar sobre o absurdo
Anônimo, homem, branco, hétero, 28, RS
Estava subindo a rua do centro de BH com mais dois homens do meu lado, e um rapaz descendo a mesma rua. Quando o rapaz se aproximou, os dois rapazes comentaram entre si que o terceiro rapaz era “viado”. Um dos dois agressores disse “graças a Deus nosso presidente está chegando, vou comprar uma arma e matar essas “desgraça tudo”. O alvo da homofobia não ouviu por estar com seus fones de ouvido e eu comecei a chorar em estado de choque sem conseguir sair do lugar.
Anônimo, mulher, negra, hétero, 19, MG
Eu estava andando na rua e vi uma senhora, fumando um cigarro, encostada na parede, com um olhar ameaçador e de deboche, gritando para um grupo de mulheres que estavam conversando normalmente. Por estarem com roupas curtas, senhora estava gritando e chamando elas de piranha, mandando elas irem colocar roupa pra pelo menos ano que vem nao morrerem peladas. Que com o novo que vai chegar piranha nao anda mais na rua.
Lucas, homem, gay, pardo, 34, SP
Passei perto de uma concentração de pessoas com camiseta do Lula livre e estava com um adesivo de PT NÃO, fui hostilizado, me agrediram com palavras e empurrões, tive que fugir.
Anônimo, homem, negro, bissexual, 28, RS