eu estava indo para o trabalho por volta de 14h, com uma camisa cor pink do outubro rosa e um homem de moto veio na minha direção me encarando violentamente e fez um sinal de arma com as mãos e dizendo que iria matar todos os “viadinhos”.
Danilo, homem, negro, gay, 21, RN
Estava em um bar com companheiros artistas acompanhando o fim das apurações. Quando demonstrei felicidade pelo governo do Piauí (estado de onde vem parte da minha família e onde está minha etnia indígena) agora ser alguém do PT, pessoas da mesa ao lado começaram a gritar “vadia imunda”, “nordestino só serve pra fazer essas merdas mesmo”, nos chamaram de “vagabundos”. Enquanto uns nos ofendíam, outros gritavam “Bolsonaro17”. Um dos homens ameaçou levantar, mas a mulher ao seu lado segurou seu braço, como se pedindo pra ele sentar de novo. Depois de tudo isso ouvimos que a nossa “farra” ia acabar e que “com Bolsonaro do governo, esses vagabundos não vão mais fazer palhaçada na rua.”
Anônimo, mulher, indígena, bissexual, 20, RJ
Uma amiga que estava com dois botons de Haddad estava pasaando na rua. Um
homem de moto viu os botons dela e virou sua moto pra cima dela.
Anônimo, homem, hétero, 22, ES
No dia da eleição eu e meu namorado estávamos indo para o local da votação quando dois homens nos confrontaram, dizendo com um sorriso irônico e sarcástico estampado na cara “tomem cuidado, bolsonaro vai ser eleito e vai mandar matar viado”.
Anônimog, homem, branco, gay, 24, MG
Um caminhão me fechou na estrada, colou na traseira do meu carro businando e me prensou contra um outro caminhão. Eu estava usando um adesivo perfurado de um candidato do PT a Deputado. Ele não colocou apenas a minha vida em risco, mas também a do outro caminhoneiro.
João Castelo Branco, homem, branco, hétero, 38, PR
Ontem fui ameaçada por um desconhecido, na saída do metrô Carioca. Motivo: na minha mochila tem um botton com o número 13 e uma estrelinha do PT. O sujeito (alto, branco e forte) veio andando atrás de mim, bateu no meu ombro e disse: “A hora de vocês vai chegar!”, com um olhar nem um pouco amigável. Como estava sozinha e ainda tinha que andar um bom pedaço (numa rua com pouco movimento), fiquei calada e continuei caminhando, mas com medo. Meu caso é pequeno, se comparado a tantos outros que estão acontecendo. Mas achei importante denunciar.
Lucia, mulher, hétero, 47, RJ
Na tarde de domingo do 1º turno eleitoral, resolvi entrar em um bar da Rodoviária de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, para comprar cigarros. A TV estava ligada e transmitia a apuração das urnas. Naquele momento Jair Bolsonaro apresentava larga vantagem sobre os demais candidatos e quando me aproximei do balcão do bar, ouvi de uma roda de homens ali encostados – todos me olhando de maneira intimidadora e agressiva – que à partir de 2019 matar “viado” estaria liberado e que eles iriam acabar com todos, sairiam em grupo e não sobraria um. Quando ouvi as gargalhadas, senti muito medo, paguei o cigarro e saí em disparada. Só queria estar sob o abrigo de um local seguro.
Jr., homem, pardo, gay, 33, RJ
Estava em meu horário de almoço, e enquanto caminhava até o restaurante um homem de meia idade começou a me encarar desde longe, e quando cruzou comigo falou em voz alta: “Bolsonaro está chegando pra acabar com essa putaria! Quero ver onde você vai ficar quando ele chegar.”
Uilton Júnior, homem, negro, gay, 23, SP
Estava num piquenique coletivo, tinham muitas pessoas. Eu estava com adesivos do Ciro Gomes colados na minha camiseta, como muitos amigos meus. De repente, apareceu um rapaz de cerca de 20 anos e mandou eu tirar todos os adesivos, senão me bateria (ele deixou muito claro isso). A presença da polícia no nosso lado não ajudou em nada. Eles simplesmente se calaram.
O jovem me ameaçava dizendo: “aqui é Bolsonaro, tira esses adesivos agora! Seu merd*! É PSL seu idiota, tira esses adesivos agora!”
Vinicius Manenti, homem, branco, gay, 15, SC
Em uma padaria que funciona 24h por dia aqui no bairro de Copacabana, um cliente perguntou ao atendente, nordestino, e insistiu até que ele dissesse em quem votou. Após o atendente falar que votou no Haddad, o cliente ficou super agressivo, falando que os nordestinos como ele são a escória do país, que são vagabundos e não gostam de trabalhar (embora a vítima estivesse trabalhando durante a agressão), que todos ele só votariam no PT e “arruinariam o país” porque gostam do Bolsa Família, que eles usam Bolsa Família pra cheirar cocaína e beber. E o atendente, como estava trabalhando, não pode fazer nada, claro.
Gabriele, mulher, branca, bissexual, 18, RJ