Acordei as 2 da manha com gritos e barulhos de tapas e choro vindo do vizinho do outro lado da rua. Fui na janela e ja haviam outros vizinhos de predios difernete gritando para o agressor que apareceu na janela. Era um homem batendo em uma mulher. Todos gritando dizendo que iam chamar a polícia e ele revidou: “bando de maconheiros pode chamar a polícia, feministas de merda, vocês ficam gritando #ELENAO pro Bolsonaro, mas ele vai acabar com vocês”. Com a comoção geral o homem acabou saindo do prédio e as vaias continuaram para ele, eu e meu marido ligamos para o 190 denunciando. A mulher agradeceu o apoio e estava visivelmente abalada porem aliviada com a nossa ajuda. Disse que vem sofrendo há dois anos os abusos. A policia chegou mas o homem ja tinha ido embora. Esse relato é claramente um relado de violência domestica e está longe de ser uma novidade por causa do possível próximo presidente, mas o discurso do agressor chamou a atenção.
Anônimo, homem, branco, gay, 35, RJ

Dentro de um Colégio Eleitoral, uma dupla de homens afirmou que mal espera a hora de poder acabar com a raça dos viados, direcionando suas palavras pra mim. Tenho medo. Temo pelos próximos dias. Mesmo que ele não vença, o Brasil já perdeu. O ódio está escancarado agora.

Anônimo, homem, negro, gay, 24, BA
Estava chegando em minha zona eleitoral e no meio da rua, na faixa de pedestre, um homem com uma camisa do Brasil põe a mão na cintura e alerta estar armado. Grita em direção à um grupo trajado de vermelho e promete meter bala nesses “vagabundos petistas” ali mesmo. Um outro homem, maior que ele, grita de volta mandando ele sair dali.
Anônimo, mulher, branca, hétero, 18, RJ
Estava chegando da faculdade por volta de 23:40, quando passei em frente uma casa e gritaram de lá de dentro “o Bolsonaro vai te matar, desgraçado”
Jonas Araújo, homem, branco, gay, 25, DF
Estava no supermercado com minha noiva e os repositores de produtos estavam falando que homossexuais deveriam acabar, que bolsonaro precisava ganhar logo para isso deixar de ser normal.
Anônimo, mulher, branca, lésbica, 22, MG
Indo pagar contas, no caminho um carro me abordou e disse: “esse votou no PT merece morrer”

 

Anônimo, homem, pardo, gay, 29, GO

Saí da Universidade São judas na Av. Vital brasil, 1000, às 22h45. Ao caminhar pela av. Caxingui em direção à minha casa, um carro popular preto (não consegui ver modelo ou marca) com ao menos quatro pessoas passou bem devagar ao meu lado enquanto os passageiros gritavam “Bolsonaro vai matar viado” para mim. Sou lésbica e esse tipo de situação qualquer pessoa LGBT insegura. O carro continuou na Av. Vital Brasil em alta velocidade após o ocorrido até sumir de vista. Sou estudante de Administração comércio exterior, expulsa de casa aos 18 anos por ser lésbica.

Izabella Jordão Pérez Gimenez, mulher, branca, lésbica, 22, SP
Sou gay, e voto em bolsonaro, andava na rua com a camisa dele e fui taxado de gay burro, e ouvi de outros gays que eu deveria morrer por escolher votar nele, que eu era uma bicha burra e que eu deveria ser o primeiro a ser metralhado por ele.
Anônimo, homem, pardo, gay, 21, DF
Eu aguardava minha vez de votar na fila de minha seção eleitoral. Um homem negro sai da sala de votação, sem qualquer adesivo ou algo que apresentasse sua posição política, ele apenas ergue os braços comemorando o seu voto. Uma mulher na minha frente vê ele feliz por ter votado e diz: “Olha esse cara comemorando, Bolsonaro já vai dar um tiro bem no meio da testa”
Claudinéia, mulher, branca, hétero, 50, SC

Fui presa e agredida por estar com uma máscara de lula DENTRO da bolsa, que uma policial encontrou na revista para entrar no estádio. Inicialmente não entendi nada, quando me dei conta que o problema era a máscara, joguei-a fora dizendo que só queria assistir ao jogo, o que fez a cabo ficar com mais raiva e dizer que eu não assistiria a jogo nenhum. Ela catou a máscara do lixo. Alertei que eu era deficiente, que faria o que ela pedisse, não precisava me tratar mal, ela me empurrou contra o portão de entrada o que me fez bater a cabeça. Tenho lúpus e como sou anticoagulada por ter tido trombose e embolia pulmonar, uma pancada forte dessas me faz correr risco de vida. Um tenente zombou dizendo que eu não era deficiente pra ir ao jogo. Ele quis me obrigar a descer a escadaria do estádio e quando disse que não conseguiria por conta da minha dificuldade de locomoção, ele gritou que eles me poderiam me fazer saber o que era ser deficiente. Isso mesmo eu mostrando a carteirinha de PNE. A cabo ao me dar voz de prisão zombava indagando onde estavam meus amigos, já que estava sozinha. Eu não tinha amigos no estádio, mas haviam mais torcedores do Sport que me encontraram na bilheteria para me dar o ingresso que usei para entrar. Enviei mensagens para todos eles, desesperada, e os mesmos optaram por não dar importância, relativizar e me culpabilizar.
Me vi sozinha e com medo.
Vi ódio, ignorância e falta de humanidade nos agressores e nos que lavaram as mãos.
Temos que refletir e não deixar a intolerância tomar conta de nossa sociedade.

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Maria Luiza Maia, mulher, branca, hétero, 39, SP